terça-feira, 4 de novembro de 2014

O Brasil na África

O Brasil na África
Paula Adamo Idoeta  BBC Brasil  09/05/2012
            Em um artigo da BBC  Brasil, a jornalista Paula Adamo Idoeta de 09/05/2012 menciona um estudo feito pela consultoria Ernst & Young: “ o Brasil está no fim da lista dos 30 maiores investidores da África, respondendo por apenas 0,6% dos novos projetos de investimentos diretos estrangeiros (FDI, na sigla em inglês) no continente entre 2003 e 2011. Em comparação, os EUA abocanharam 12,5% dos novos projetos; a China (Hong Kong incluída), 3,1%; e a Índia, 5,2%.”
            Em um seminário do BNDES o banco BTG Pactual afirmou a intenção de captar US$ 1 bilhão para investimentos do setor privado brasileiro na África, em áreas como energia, infra-estrutura e agricultura, relata O Estado de S. Paulo. A Eletrobrás também estuda hidrelétricas em Angola e Moçambique, e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, pediu mais aportes do G20 (grupo das maiores economias do mundo) ao Banco Africano de Desenvolvimento.
            Para Michael Lalor, diretor do África Business Center da Ernst & Young: "Foram 33 projetos de investimento estrangeiro direto do Brasil na África desde 2003 - menos de 1% do total." E, com o crescimento do mercado consumidor africano, "surpreende que empresas brasileiras de consumo - serviços financeiros, varejo, telecomunicações - não estejam mais ativos no continente", agregou. Para o executivo, há também expectativas de que o Brasil "use seu expertise em biocombustíveis para investir mais fortemente nisso".
            
                                      Presença brasileira é mais forte em Angola (foto) e Moçambique
            Moçambique  abriga empreendimentos da Vale e da Odebrecht, uma das maiores empregadoras locais; Angola  é o maior receptor dos investimentos brasileiros no continente (R$ 7 bilhões, segundo estimativas de 2011 da Associação de Empresários e Executivos Brasileiros em Angola). Empresas como Petrobras e construtoras como Odebrecht e Andrade Gutierrez têm operações sólidas ali.
            Mas, para a diretora regional da África da Economist Intelligence Unit, Pratibha Thaker, o Brasil está seguindo um curso natural. "Não acho que o país tenha desperdiçado oportunidades. Começou com os países de língua portuguesa e agora está avançando para outros - por exemplo, a África do Sul, onde mira o varejo e a agricultura", afirmou à BBC Brasil. "É a primeira vez que o continente africano está sendo encarado com seriedade pelo mundo (como um pólo de oportunidades). E o Brasil, ao contrário da China, é bem visto por sua tendência a empregar mão de obra local, transferir tecnologia."
Ela adverte, porém, que espaços não ocupados por outros países na África serão tomados por investimentos chineses e indianos.

Avanços e recuos da África

                                      Demanda por infra-estrutura ainda é grande no continente africano
O relatório da Ernst & Young aponta que, entre 2010 e 2011, cresceu 27% o número de projetos financiados por investimento direto estrangeiro na África. Os principais receptores são África do Sul, Egito, Marrocos, Argélia, Tunísia, Nigéria e Angola.
Mesmo assim, o continente abocanha apenas 5,5% do total dos investimentos estrangeiros - algo que, na opinião de Ajen Sita, "não reflete o potencial econômico da África".
Isso é atribuído à desconfiança de muitos investidores com relação à instabilidade política, à corrupção e às dificuldades em fazer negócios atribuídos aos países africanos.
No levantamento feito pela E&Y, empresários sem presença na África vêem a região como "a menos atrativa para negócios do mundo". No entanto, diz a consultoria, quem já faz negócios na África tende a melhorar sua percepção sobre o continente e a considerá-lo quase tão atrativo quanto a Ásia.
Também cresce o volume de negócios entre países africanos, enquanto velhos desafios permanecem: a infraestrutura continental é deficiente e requer investimentos de mais de US$ 90 bilhões, apontou Sita.
Outro antigo desafio é a estabilidade continental - um problema antigo que atualmente se manifesta com os levantes da Primavera Árabe e com golpes de Estado em países como Mali e Guiné-Bissau.
Em resposta a isso, o relatório da E&Y afirma que, apesar de focos de conflitos, "a democratização africana é algo real, com os Estados unipartidários se tornando cada vez mais a exceção, em vez de a regra".



Bandeiras africanas

Chama a atenção o fato de muitas bandeiras africanas apresentarem cores comuns entre elas: combinações entre o verde, o amarelo, o vermelho e o preto são comuns.
As origens dessas combinações estão no Pan-Africanismo, movimento que propunha a união dos povos africanos, como forma de valorizar a África no contexto internacional.
O movimento teve força ao longo das lutas pela independência na segunda metade do século XX, buscando a unidade política de toda a África e o reagrupamento das etnias divididas pelas imposições dos colonizadores.
Valorizavam a realização de cultos aos ancestrais e defendiam a ampliação do uso das línguas e dialetos africanos, proibidos ou limitados pelos europeus.
A teoria pan-africanista foi desenvolvida principalmente pelos africanos na diáspora americana descendentes de africanos escravizados e pessoas nascidas na África a partir de meados do  século XX; no Brasil foi divulgada por Abdias do Nascimento.
Duas diferentes combinações de três cores são referenciadas como as cores pan-africanas: o verde, o amarelo e o vermelho, primeiramente usadas na bandeira da Etiópia.
A Etiópia  é um país emblemático no continente africano: foi o único país que não foi colonizado pelos europeus e  é o berço do rastafarianismo, um movimento importante para a valorização das ideologias africanas.

Idéia de nação na África

24-05-2012 21:20 - fonte:  http://www.portalangop.co.aoHuíla - Lubango
Especialista defende que africanos devem elevar ideia de nação 



Lubango – Os africanos devem colocar acima de qualquer coisa a unidade territorial e a idéia de nação, respeito pelos símbolos nacionais e o progresso de cada país, para evitar que as interferências externas influenciem negativamente na política e no desenvolvimento do continente, defendeu hoje, no Lubango, Huíla, o professor universitário, Hélder Pedro Alicerces Bahú.
  
Em entrevista à Angop, a propósito dos 49 anos da institucionalização da União Africana (antiga OUA), que na sexta-feira se assinala, o professor de História no ISCED do Lubango disse que boa parte dos problemas africanos são provocados por países acidentais, dai que a ideia de uma neo-colonização é mais como uma luva do tipo invisível e é bem patente neste campo.

"As interferências externas começaram no tempo colonial e persistem até hoje e eu penso que a solução está nas mãos do próprio africano, que têm a responsabilidade de ter mais ambições, pensar no país", disse.
  
Argumentou que estas intromissões, mesmo que continuem, que não sejam tão fortes como agora, pois encontrarão a negação por parte dos próprios africanos.

Hélder Bahú defendeu igualmente a mudança de postura de maior parte de partidos que faz oposição em África, que opta em insistir em ataques pessoais a quem governa, em vez fazer uma política que contribua para o engrandecimento do país, em particular e do continente de uma forma geral.

Acrescentou que muitos dos seus membros da União Africana desviam-se dos intentos consagrados em documentos "muito bem" escritos, relativos a alternância do poder, erradicação da pobreza, do analfabetismo e todas outras formas que contribuem para a melhoria das condições de vida das populações, o que também provoca uma certa instabilidade política em alguns países.

Segundo ele, a UA não conseguirá encontrar um denominador comum para poder mudar o quadro, se os seus integrantes não mudarem as suas políticas, o que quer dizer que ela está dependente dos seus membros.

O professor Hélder Bahú é mestre em história e doutorando pela mesmo disciplina pela Universidade Nova de Lisboa.

A Organização da Unidade Africana (OUA) foi criada a 25 de Maio de 1963 em Addis Abeba, capital da Etiópia, através da assinatura da sua Constituição por representantes de 32 governos de países africanos independentes.
  
A OUA foi substituída pela União Africana a 9 de Julho de 2002.



A organização tem como objetivos a unidade e a solidariedade africana, defende a eliminação do colonialismo, a soberania dos Estados africanos e a integração econômica, além da cooperação política e cultural no continente.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Atividade cesta básica 3º anos


Atividade 3º anos : Cesta Básica
1) Fazer uma comparação com as imagens , considerando o lugar, as pessoas, quantas e como estão vestidas. Comparar as cestas básicas, explicando o motivo da diferença.

2) Lembrando o video sobre a Super estrada da alimentação, como é possível termos no mundo qualquer alimento em qualquer lugar a qualquer época?

3) Faça uma lista dos alimentos consumidos por sua família durante um a semana ou um mês, coloque os preços, some e compare com as cestas básicas das fotos.
Analise sua cesta básica, considerando o número de pessoas, se é saudável e como é o gasto.

entregar na semana do dia 12 a 16 de setembro.








Vegetação 1º anos

VEGETAÇÃO
A vegetação faz parte do ecossistema. Ela depende principalmente do clima, solo e relevo.
Ela é importante para o mundo pois equilibra o clima, produz oxigênio através da fotossíntese e tem sua importância econômica no mundo de hoje.
de acordo com sua forma pode ser classificada em:
- Xerófilas: plantas que são adaptadas a aridez, como os cactos.

- Tropófilas: são adaptadas a uma rotação seca, e outra úmida.

- Higróficas: plantas adaptáveis a muita umidade.

- Aciculifoliadas: tem folhas em forma de agulhas, como os pinheiros.

- Latifoliadas: são de regiões úmidas, com folhas largas. Permitindo intensa transpiração.

- Caducifólias: elas perdem as folhas em épocas frias ou secas do ano.


Tipos de vegetação


Floresta Temperada

Ela é típica na zona climática temperada. Surge em latitudes mais baixas. São abertas, com pequena variedade de vegetais. As flores temperadas aparecem na América do Norte e Europa, como a floresta negra (Alemanha).

Floresta de Coníferas

É típica da zona temperada, ocorrendo em altas latitudes.

Abrange o norte da Eurásia. Nas regiões frias, Rússia e Sibéria, desenvolve-se a Taiga,vegetação de coníferas anãs, predominando o pinheiro. Nestas regiões são bem úteis como fonte de matéria-prima.

Floresta Tropical

É típica de climas úmidos e quentes. Surge em baixas latitudes na América, África e na Ásia. As florestas tropicais são ricas em espécies de vegetais. São fechadas e heterogênea, com uma formação vegetal higrófila e latifoliada. Nelas aparecem arvores de grande e médio porte.

Vegetação desértica

São adaptadas a falta de água, que é a situação em climas árido e semi-árido. Por isso, as espécies são xerófilas.

Aparecem em todos os continentes, com exceção da Europa.

Tundra

Vegetação rasteira, formada de liquens e musgos que aparecem na zona próxima as circulo polar Ártico. Crescem nos alagados na primavera e verão. E durante o inverno fica encoberta pelo gelo.

Vegetação Mediterrânea

Se desenvolve em regiões de clima mediterrâneo. É uma vegetação esparsa com características xerófilas e as formações dominantes são os maquis e garigues.

Pradaria

É composta basicamente de capim. Aparece em regiões de clima temperado continental. Embora muito usada como pastagem, é importante pelo solo rico em matéria orgânica. Surge na Europa na Europa Central e na Rússia, nos Pampas argentinos, e nas Grandes Planícies Americanas e na Grande Bacia Australiana.

Estepe

Vegetação herbácea, constituída por tufos ou colônias de plantas afastadas umas das outras, deixando o solo parcialmente descoberto. Surge em climas semi-áridos.

Cobre regiões na Ásia Central, oeste dos Estados Unidos e Argentina.

Savana

A vegetação é variada, com arbustos, plantas herbáceas e gramíneas.

Ocorre em regiões de clima tropical, onde existe estações bem definidas: o verão úmido e o frio seco. Aparece no Brasil, África Centro Oriental.

Nas savanas vive um grande número de herbívoros e amimais de grande porte, principalmente na África.

Em meio a outros tipos de vegetações, podemos encontrar pequenas formações florestais, como:

- mata galeria: é um tipo de mata que fica as margens do rios que cortam o cerrado e a caatinga. Isto ocorre porque às margens do rio, o solo é fértil criando condições propicias para o desenvolvimento da mata.

- capão: surge nas depressões das áreas secas, aonde o nível hidrostático chega próximo a superfície, criando boas condições para se desenvolver a mata, visto que o solo é úmido.

Vegetação no Brasil

O Brasil apresenta várias formações vegetais, devido as diversidades no clima. Temos um território extenso, por isso algumas regiões são ou próximas aos trópicos, ou a linha do Equador. E isso influi no clima, e portanto na vegetação.

No Brasil existe desde grandes florestas tropicais, até formações xerófilas, como a caatinga.

A seguir mostraremos as principais formações florestais no território nacional.

Floresta Amazônica

Possui a maior diversidade em espécies de vegetais e animais do planeta. Formada por plantas latifoliadas equatoriais, a floresta é densa.

O solo está constantemente coberto por camadas de folhas, galhos caídos, frutos apodrecidos, tudo úmido e em decomposição.

A floresta apresenta três estratos:

- Várzea: com vegetação de médio porte, uma área que está sobre inundações periodicamente.

- Caaigapó: áreas com vegetações de pequeno porte, como a vitória régia, pois fica permanentemente alagada ao longo dos rios.

- Caaetê: área que não inunda, possuindo vegetações de grande porte, como a castanheira. É a mais afetada pelo desmatamento e as queimadas.

Floresta latifoliada tropical

Foi grandemente destruída ao longo da história do Brasil. Se estende do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Sofre ação intensa das massas de ar úmido que vem do oceano Atlântico.

Mata de araucárias ou pinhais

Nessa forma de vegetação predomina a araucária angustifólia, espécie que é adaptável ao clima subtropical ou temperado. Se encontra em várias áreas, região Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais.

No interior desse tipo de floresta pode se encontrar erva-mate, canela, cedros entre outros.

Mata dos cocais

Esta formação vegetal se situa entre a floresta amazônica, caatinga e o cerrado. É constituída por palmeiras, destaque ao babaçu, e carnaúba.

Caatinga

O nome caatinga vem do tupi-guarani e significa ‘mata branca’, que é cor predominante na época da seca. A vegetação é xerófila, na qual predomina arbusto caducifoliado e espinhoso.

Cerrado

Sua formação florestal é constituída por uma vegetação caducifólia. Tem uma formação adaptada ao clima tropical, com raízes profundas, casca grossa e galhos retorcidos.

Complexo do pantanal

O pantanal ele agrupa várias formações vegetais em seu interior, dentre elas está a floresta tropical, cerrado e lugares inundáveis.

Por isso o nome de complexo do pantanal, pois é uma floresta de transição, várias formações florestais juntas.

Campos naturais

Tem uma formação rasteira ou herbácea, constituída por gramíneas.

Pode se achar esse tipo de vegetação no extremo sul do país, em poucos pontos do Mato Grosso do Sul e na Amazônia.

Alguns associam a sua origem a solos rasos, temperaturas baixas, áreas sujeitas a inundações ou solos arenosos.

Vegetação Litorânea

No litoral surge vegetação rasteira, que é responsável pela fixação da área, impedindo que seja transportada pelo vento. Os mangues também são comuns, responsáveis pela reprodução de espécies de peixes, moluscos e crustáceos. São áreas inundadas pela água do mar, quando este está em maré alta; e na maré baixa as raízes ficam expostas.


fonte: http://www.juliobattisti.com.br

domingo, 14 de agosto de 2011

Biocombustível

Biocombustíveis x Alimentos 2

O segundo passo para uma resposta a este questionamento é o da compreensão da relação entre a formação de preço dos alimentos ao consumidor e a produção de biocombustíveis, do ponto de vista da realidade brasileira e mundial.

1. Os biocombustíveis têm alguma coisa a ver com os alimentos que compramos?
Enquanto no Brasil o álcool é feito a partir de apenas dois terços da área de cana-de-açúcar plantada, nos EUA o bioetanol é feito basicamente de milho, apesar do balanço energético muito menor desta cultura na produção de biocombustíveis em relação à cana (1:1,4 do milho; 1:8,5 da cana).
No caso do biodiesel, apesar de estarmos produzindo basicamente a partir da soja, temos feito investimentos em pesquisas de culturas que em nada, ou em muito pouco, se relacionam com a alimentação humana como a mamona, macaúba, palma (dendê), algodão (caroço), Pinhão manso dentre outras.
2. Aumento da demanda
Pela esta mesma lei do capitalismo, os preços podem subir tanto para um mercado quanto para o outro. Se houver mais demanda de um lado, haverá uma elevação no preço do outro, até o equilíbrio do mercado.
3. Diminuição na produção de alimentos
Esta euforia inicial dos agricultores brasileiros de substituição de culturas tradicionais pelas utilizadas na produção de biodiesel e etanol, é muito natural. O resultado imediato é a elevação dos preços dos alimentos, mas, a longo prazo, a tendência natural do mercado é o equilíbrio destes preços em patamares bem mais realísticos que os deste inicio.
4. Aumento indireto de preços dos alimentos
A tendência da tecnologia de produção de bicombustíveis é o de utilização dos subprodutos resultantes do processo para a alimentação animal, fertilizantes químicos e geração de energia. Ou seja, mesmo indiretamente aumentando o preço destes alimentos, ainda indiretamente, ele também tende a diminuir o seu preço inclusive pela implementação de alguns novos subprodutos.

5. Exclusão social
No Brasil esta realidade esta sendo combatida pela implementação de uma política de incentivo ao pequeno agricultor que poderia resolver parte do problema.

6. Aumento do efeito estufa
No Brasil, o uso de derivados de combustíveis fosseis vem sendo substituído por etanol, muitas vezes mais limpo, segundo o mesmo estudo, a produção brasileira do etanol de cana foi considerada menos poluente do que o petróleo, gerando de 50 a 90% a menos dos gases do efeito estufa que seriam emitidos pela gasolina. Isso tudo sem levar em conta os benefícios do uso dos subprodutos dos biocombustíveis (o bagaço da cana, por exemplo) para produzir o próprio biocombustível egerar energia eletrica.
7. Desmatamento de florestas
O crescimento no percentual de desmatamento da Amazônia, que há cinco anos seguia tendência de diminuição, nada tem a ver com o aumento da área plantada de cana-de-açúcar. A área de cana-de-açucar brasileira tem crescido principalmente sobre terras degradadas, antes ocupadas pela bovinicultura.
Devemos ressaltar, ainda que as áreas ocupadas com gado, hoje, no Brasil perfazem um total de próximo de 220 milhões de hectares com um rebanho de aproximadamente 200 milhões de cabeças, dando uma ocupação (densidade) de 0,9 cabeças/ha de media nacional, o que é muito baixa. Porém, em São Paulo, já ultrapassa 1,2 cabeça/ha. Se esta media nacional passar para 1,4 cabeça/ha, por exemplo, haveria uma liberação de mais de 40 milhões de ha de pastagens, ou seja, 8 vezes a área atual ocupada com cana para álcool.
8. Insuficiência de recursos hídricos
Atualmente a quantidade de água utilizada em todo o mundo na produção de alimentos é da ordem de 7 mil metros cúbicos, de acordo com o Instituto Internacional da Água de Estocolmo (SIWI). A estimativa é que, até o ano 2050, este consumo praticamente dobre. Nas palavras de Jan Lundqvist, diretor do conselhor da SIWI, "as projeções indicam que a água necessária para produzir biocombustíveis crescerá na mesma proporção que a demanda de água por alimentos, o que representaria a necessidade de 20 a 30 milhões de quilômetros cúbicos em 2050. E isto não é possível".
9. Alternativas mais eficientes
Um estudo britânico publicado na revista Science demonstrou que as florestas podem absorver de duas a nove vezes mais carbono, em um período de 30 anos, do que as emissões evitadas pelo uso de biocombustíveis.
É importante salientar que parte dessas críticas são também um alerta para que parte do processo de produção do biocombustível, por exemplo, possa ser melhorado para evitar os desastres.
Algumas das possíveis melhoras são:

  • A escolha de matérias-primas mais produtivas e que exijam menos fertilizantes e menos energia na colheita;
  • O uso de terras já desmatadas e não cultivadas para o plantio;
  • A diminuição do combustível fóssil no processo de produção e transporte;
  • A utilização de pequenos agricultores para a produção de matéria-prima

3º anos Crise dos alimentos

25/04/2008 - 14h54

Entenda a crise dos alimentos

da Folha Online

A recente(2008) alta nos preços dos produtos agrícolas foi motivada por uma série de fatores conjugados e se tornou uma crise mundial. O maior temor, além da falta de suprimentos, é que cresçam as revoltas populares pela falta de comida, o que já foi registrado em diversos países, como Haiti, Indonésia, Camarões e Egito. Nesse sentido, diversas instituições internacionais já se manifestaram, como ONU, Banco Mundial, FMI e Bird, por exemplo.

Entenda os principais motivos que desencadearam a crise:


Desenvolvimento global - A longa fase de prosperidade mundial, com especial força nos países emergentes, fez crescer significativamente o consumo de alimentos no mundo. Antes de se iniciar a atual crise de crédito nos Estados Unidos, o mundo não passava por uma crise financeira com dimensões globais desde o final da década de 1990.

Assim, os seguidos anos de calmaria deram condições para que o comércio exterior disparasse, o que gerou renda nos países mais pobres --estas nações são referência histórica tanto na produção de matérias-primas como para base de empresas multinacionais. Com mais dinheiro no bolso, a população desses países, entre eles Brasil e China, passou a consumir mais, sendo que os alimentos foram os primeiros produtos a terem seus consumos elevados, causando um descompasso entre oferta e demanda.


População - A população mundial está em franca expansão. Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), passará de 6,5 bilhões de pessoas em 2005 para 8,3 bilhões em 2030 e 9 bilhões em 2050. O efeito do aumento do número de pessoas que se alimentam ganha ainda mais peso porque a maioria delas nasce na Ásia e na África, onde o consumo de alimentos cresce em ritmo mais rápido devido ao desenvolvimento econômico desses continentes.


Secas - Alguns dos principais produtores mundiais de alimentos, como o Brasil e a Austrália, passaram recentemente por fortes secas que atingiram a produção. Na Austrália a seca já perdura por seis anos, enquanto que o Brasil e o Leste Europeu tiveram problemas entre 2005 e 2006. Com a quebra de safra nesses países, os estoques foram reduzidos e agora estão perigosamente baixos devido ao aumento no consumo.


Petróleo - Assim como os alimentos, os preços de outras commodities (matérias-primas) também estão em alta. É o caso do petróleo. O produto está com seu preço em níveis recordes, o que causa impacto em toda a cadeia de produção e distribuição de alimentos. Quase todas as fazendas usam óleo diesel para movimentar as máquinas, e os fertilizantes possuem também diversos componentes vindos do petróleo. Além disso, o combustível mais caro eleva o preço do transporte dos alimentos para os centros consumidores, elevando o preço final da comida.


Especulação financeira - Quase todos os principais alimentos possuem mecanismos financeiros de compra e venda em um prazo pré-determinado, o que é chamado de mercado futuro. Nos últimos meses, os preços dos alimentos no mercado futuro dispararam devido à entrada de muitos investidores neste tipo de investimento. Eles apostam exatamente que estes preços irão crescer. Se isso ocorre, eles lucram, já que poderão vender o que têm a valores maiores do que o investido inicialmente.


Enfraquecimento do dólar - O dólar é a moeda usada para a cotação das commodities agrícolas em quase todos os principais mercados futuros. Como a moeda americana está em níveis históricos de queda ante outras moedas fortes, como o euro, os investidores forçam a alta do preço dos alimentos no mercado futuro para "compensar" essa desvalorização.


Alta nos custos - A produção de carnes em geral recebe duplo impacto. Seus custos disparam não só pela alta do petróleo, mas pela própria alta no preço dos alimentos, já que alguns deles --em especial o milho-- são usados na ração dos animais.


Biocombustíveis - Diversas entidades, como a ONU (Organização das Nações Unidas) e o FMI (Fundo Monetário Mundial), reclamam do desvio de parte da produção agrícola para a produção de biocombustíveis. O resultado, segundo eles, é que a oferta cai ainda mais em um momento de alta na demanda, causando a elevação dos preços. O caso mais criticado é o do milho, usado nos Estados Unidos para a produção de álcool, que levou à disparada do preço do produto no mercado internacional já no ano passado. Também criticam a substituições de lavouras tradicionais pelas de cana-de-açúcar, em um ataque direto ao Brasil --principal exportador de álcool do mundo e que usa a cana-de-açúcar para extrair o produto.


Travamento às exportações -Diante do risco de desabastecimento, grandes países produtores de alimentos estão impedindo a exportação, agravando o cenário nos países importadores. Os casos mais recentes foram vistos com o trigo argentino e o arroz indiano e vietnamita.